MUSEU INIMÁ DE PAULA RECEBE EXPOSIÇÃO DE MARCUS AMARAL

O Museu Inimá de Paula recebe a partir de 5 de outubro, a exposição “Destilado a Seco –
quando o preto é luz, quando a luz é fogo, quando o queimado é vivo”, do artista plástico
mineiro Marcus Amaral. Com influência da estética construtivista, a mostra traz obras que
tencionam a relação entre o universo da razão e dos sentidos. Nela, o fogo é utilizado como
ferramenta de transformação das peças e o resultado é uma serie de arranjos
tridimensionais com texturas e impressões sensoriais que desafiam o visitante a repensar os
usos dos objetos, a infinitude de suas formas e um mergulho nas possibilidades.

A exposição ficará até o dia 3 de dezembro e pode ser vista nas terças, quartas e sextas-
feiras e sábados das 10h às 18h30, nas quintas de 12h às 20h30 e aos domingos e feriados
de 10h às 16h30.O Museu Inimá de Paula tem sua manutenção patrocinada pelo Banco
Santader através de incentivos da Lei Rouanet. O espaço se localiza na R. da Bahia, 1201,
Centro.

REALIDADE VIRTUAL
A exposição contará com uma experiência de realidade virtual desenvolvida pela ReVirtua,
que preparou um ambiente digital com alguns dos quadros do artista, onde o público poderá
andar livremente. Para desenvolver os espaços em realidade virtual foi necessário digitalizar
os quadros do artista, que originalmente possuem menos de um metro quadrado, e
transformá-los em um ambiente de mais de quinhentos metros quadrados. Além disso, foi
desenvolvido um breve documentário em 360°, o qual Marcus fala sobre seu processo
criativo em seu ateliê.

SOBRE O ARTISTA
Nascido em Divinópolis-MG, em 1963, no ano de 1980 Marcus Amaral mudou para Belo
Horizonte, para cursar as Faculdades de Engenharia Civil e Belas Artes simultaneamente.
Aparentemente distantes, as áreas da lógica e da criatividade se uniram para formar uma
trajetória artística muito particular e coerente. Utilizando maçarico, soprador de calor,
serras, furadeiras para transformar os materiais do nosso cotidiano (linhas, acetato,
madeira, jornal, papel de revistas, prego, parafusos, embalagens longa vida, fio de nylon,
fios de aço, lamina de alumínio), que deslocados do seu habitat natural criam elementos
inusitados que são ordenados de forma ritmada e dão vida as telas-esculturas.

O fogo, e a fumaça são uma constante em suas obras, a madeira, o papel e o plástico
queimados, de uma forma conduzida pelo artista, transformam em elementos curiosos ao
olhar. A obra tem objetivo de instigar e gerar questionamento sobre a técnica e o tipo de
materiais usados, deixando a cargo do público a dúvida do que é realmente descartável. O
artista acredita que existe possibilidade em quase tudo, nada é essencialmente perdido,
demonstrando que somos imersos num mundo de possibilidades.

O seu trabalho definitivamente quer se mostrar abraçado na terceira dimensão, ele adquire
volume deixando de ser apenas um quadro, ganhando status de tela-escultura. Acreditando
que os sonhos, fantasias e os sentimentos são mais fáceis de serem expostos quando
colocados em caixas, o artista busca um cenário real do imaginário já que vivemos na
tridimensionalidade. Para isso, trabalha os objetos do nosso dia a dia, dando-lhes novos
sentidos e uma nova estética e assim cria uma relação intima e permanente com a criação.
O artista quer buscar através da arte o que transcende dos materiais. A sua referência vem
do cotidiano e a principal fonte de pesquisa são os seus sentimentos.

Marcus Amaral foi diagnosticado com Mal de Parkinson em 2010, quando possuía 47 anos,
sendo um catalisador para o retorno do artista, de forma definitiva, para o universo da arte.
O processo de criação tornou-se um aliado no tratamento e controle da doença. e para dar
mais sentido ao seu trabalho, Marcus reverte todo lucro da venda de sua obra para
instituições de caridade.